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Avanço da IoT depende do uso de tecnologias disponíveis e soluções simples, afirma Alexandre Junqueira

Pela facilidade de ter um smartphone sempre à mão, as pessoas estão cada vez mais conectadas. E, desta conexão disponível, muitos benefícios surgiram: comunicação e informação mais ágeis e acessíveis do que uma década atrás. Dentro desta proposta de conectividade, está a IoT (Internet of Things) cujo conceito básico é a conexão entre objetos e a internet, onde é possível ter ainda mais informações consistentes para tomada de decisões mais conscientes. Imagine um estacionamento diariamente lotado onde não seja mais necessário rodar por minutos para achar uma vaga, mas sim checar qual lugar disponível em um aplicativo de celular. A tomada de decisão de uma situação cotidiana torna-se efetivamente mais simples e rápida.

Para entender melhor aplicação e os rumos da IoT, nós entrevistamos o CEO da startup Konker, Alexandre Junqueira, um dos palestrantes confirmados para a Trilha IoT no InovaCampinas 2018. Para ele, a utilização de tecnologias disponíveis e soluções simples é a melhor estratégia para que a aplicação de IoT ocorra de forma escalável e acessível. Confira:

Alexandre Junqueira, CEO da Konker

Onde e como a IoT já é uma realidade?

Vemos frequentemente iniciativas em IoT feitas em duas vertentes: indivíduo e sociedade. No que diz respeito ao indivíduo, os resultados ainda são pequenos e controlados. Temos como exemplo o FitBit (pulseiras inteligentes que monitoram as atividades do usuário, como passos, sono etc) que gerou uma onda muito grande, mas as empresas esperavam muito mais. Isso porque esta tecnologia gera resultado apenas para o indivíduo e um benefício contestável.

A tendência é que a IoT seja aplicada em soluções coletivas?

Percebemos que as tecnologias que trazem resultado para o coletivo geram muito mais benefício. O Waze, por exemplo, é um sucesso pois o custo de implantação é praticamente zero, uma vez que é necessário apenas ter um smartphone. As pessoas carregam o celular consigo o tempo todo. Não foi necessário investir em um equipamento novo e o benefício disponibilizado ao usuário é inegável. É óbvio que o Waze não começou como é hoje e só atingiu esse resultado após grande adesão, agregando assim mais valor e informação num círculo virtuoso. É uma solução em IoT que deu muito certo, de modo que esse poder de informação agregada e compartilhada gera inteligência, que é devolvida em benefício de cada um dos indivíduos.

Como o setor produtivo – como indústria, comércio e serviços – têm utilizado IoT?

A indústria já é sensorizada há mais de 30 anos e a vantagem é que essa instrumentalização se amplie para outros lugares de forma mais barata e acessível. No Brasil não é viável oferecer a uma empresa um projeto em IoT cujo investimento seja alto, sem saber qual será o retorno. Por isso, o que temos feito é oferecido projetos a um custo inicial de instalação e pagamentos por um período de tempo, como se fosse uma assinatura para a prestação de serviço. Diferente da Europa ou Estados Unidos, no Brasil, as empresas não querem investir em algo em que não há certeza de qual será o retorno.

Que tipos de soluções em IoT podem ser oferecidas a uma empresa?

São soluções muito simples que impactam o dia a dia, gerando economia de recursos financeiros e de tempo. Por exemplo: um sensor que monitora as salas de reuniões, identificando assim os padrões de uso. Isso é possível ligando um ambiente físico com sensores simples, como aqueles instalados em corredores de prédios para acender a luz. Com essa informação coletada identificamos padrões e até a verificação que não há necessidade de construir mais salas, mas sim, otimizar o uso delas. Outra experiência é o monitoramento em tempo real do consumo de energia na empresa. Ao receber a conta de luz ao final do mês é difícil identificar os desperdícios. Com uma solução em IoT, ao instalar simples sensores, identificamos instantaneamente os padrões de consumo, vazamento e mudamos a forma como os colaboradores se comportam ao ter consciência deste gasto.

IoT muda o comportamento das pessoas?

Completamente. Aplicamos com um cliente uma solução para monitorar o desperdício de comida no seu restaurante industrial, que é utilizado pelos colaboradores.  Sem a noção geral deste desperdício, as pessoas acham que tudo bem deixar um pãozinho no prato. Na soma total, isso faz parte de um conjunto muito maior e toneladas de comida jogadas no lixo. É impressionante o feedback que IoT está começando a gerar. A gente faz isso de forma escalável, altera o comportamento das pessoas. A sociedade vive uma pressão muito grande para ter um consumo racional dos recursos naturais e as soluções em IoT podem contribuir de forma significativa com isso.

Soluções em IoT permitem que as pessoas e organizações tomem decisões de forma mais conscientes?

Ao colocar uma máquina para fazer a mensuração, essa análise torna-se muito mais consistente, constante e barata. Permite assim um salto de evolução para poder analisar os comportamentos e buscar mudanças. Esse é o benefício: obter informação com qualidade para tomar decisões mais conscientes. IoT democratiza esse acesso à informação de qualidade.

Essa democratização é possível até que ponto? Essas tecnologias são acessíveis?

Nós apostamos que a acessibilidade será possível com soluções simples e tecnologias disponíveis. Por exemplo, apresentamos um projeto piloto para o estacionamento do Instituto de Computação da Unicamp a fim de monitorar e identificar vagas disponíveis. Hoje há sensores que podem ser instalados, mas demandam investimento alto. Então instalamos uma câmera que aponta para o estacionamento e faz análise de quantas vagas estão  disponíveis. Não é necessário um supercomputador, mas uma tecnologia que roda em uma caixinha junto à câmera e informa a disponibilidade. É possível entregar uma solução bacana a um custo baixo por meio de uma tecnologia já disponível. O impacto disso é alto, especialmente pelo tempo e combustível desperdiçados pelas pessoas procurando lugar para estacionar.

Qual o prazo para IoT estar completamente implementada?

O ciclo renovação dos parque de ativos, como carros, eletrodomésticos, televisão etc gira em torno de cinco ou dez anos. Isso vai permitir as soluções mais presentes na vida das pessoas. Tem uma série de barreiras a serem atravessadas ainda, grandes gargalos legislativos, de conectividade. No Brasil, a conectividade ainda é uma das mais caras no mundo e isso precisa ser debatido por meio de uma política de acesso. Acredito que esses obstáculos serão resolvidos e teremos crescimento paulatino em dez anos.

 A Trilha IoT no InovaCampinas será realizada no dia 24 de outubro. Para saber mais sobre a programação, clique aqui

InovaCampinas | 24 e 25 outubro 2018 

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